Oleksandr Ostapenko

A actividade à qual me dedico em Portugal há já 6 anos, e que tentarei explicar nas linhas que se seguem, está relacionada com o estudo da influência de diferentes metodologias (tanto tradicionais como não-tradicionais) na rapidez de aprendizagem de línguas estrangeiras (com o objectivo final de uma integração bem sucedida do aluno num meio linguístico diferente do materno).

Nos dias de hoje, em que vivenciamos o vertiginoso crescimento do grau de cooperação mútua entre os países europeus, salta, mais do que nunca, para primeiro plano a necessidade de quebrar as barreiras da comunicação. A esta conclusão cheguei depois de ter vivido na pele e lidado muito de perto com as dificuldades de centenas de imigrantes, que são, no mundo contemporâneo em que vivemos, uma realidade inegável de dimensão planetária. E apercebi-me que um papel vital nesse "quebrar de barreiras", tanto no momento presente como no futuro mais próximo que se avizinha, terão os métodos de ensino rápido de línguas estrangeiras que permitam, num curto espaço de tempo (em 2 ou 3 meses), assimilar e decorar 1500 a 2000 palavras, frase e expressões estrangeiras, ou seja, as suficientes para se obter um nível razoável de comunicação diária.

Como imigrante chegado a Portugal em 2000 (com a principal massa da imigração russófona), conheço bem esta sensação de saber que só nos sentiremos confortáveis num outro país que não o nosso, e que só o amaremos como se nosso fosse, quando «compreendemos os outros e os outros nos compreendem a nós», isto é, quando possuímos já o grau necessário de domínio da língua desse país que queremos que nos adopte.

No início da presente década encontravam-se em Portugal cerca de 150 000 imigrantes oriundos das antigas repúblicas da URSS (perto de 80 000 ucranianos, russos e moldavos legalizados e sensivelmente o mesmo número - sem dados exactos que comprovem - de imigrantes ilegais). O que significam 150 000 pessoas para um país com uma população de 10 milhões de habitantes?

Basta fazer as contas: para cada 66 portugueses havia então 1 imigrante russófono...! Circulava no início a brincadeira entre a comunidade russófona de que Portugal se teria convertido na 16 república de uma União (soviética) que já não existia, tal era a facilidade, e quase naturalidade, em ouvir palavras em ucraniano, russo e moldavo em qualquer esquina de qualquer cidade portuguesa. Por incrível que pareça, era então maior a probabilidade de ouvir estas línguas aqui, em Portugal, que nas repúblicas do Báltico ou na Geórgia. E a verdade nua e crua é os conhecimentos de língua portuguesa de 95% a 97% desta massa imigrante tão representativa na população total de Portugal eram nulos! Com formação superior na área da Administração e Marketing, em pouco tempo me apercebi que aqui existia procura mas não havia oferta.

No início de 2003 registei-me em Portugal como Empresário em Nome Individual e propus cooperação a uma empresa russa de renome a nível do território da ex-URSS e que tinha já nessa altura uma situação comercial bem confortável e sólida.

A nossa empresa desenvolve e comercializa cursos de línguas estrangeiras em suportes áudio. Durante a minha actividade em Portugal já consegui editar os cursos: «Português ao Volante», «Língua Russa» (um curso de russo direccionado para os portugueses) e actualmente estou já prestes a apresentar o meu mais recente trabalho «Português ao Volante, nível II», que estará à venda em Portugal já em Outubro ou Novembro próximos. A comercialização será feita nas mais de 10 lojas de venda de produtos de Leste existentes em território nacional.

Nos primeiros 2 anos de actividade emprenhei-me a fundo neste projecto sem dele tirar quaisquer dividendos ou compensação financeira. Todo o dinheiro obtido era reinvestido em publicidade e desenvolvimento local do projecto. Esta situação manteve-se até 2005, ano em que foi criado o curso «Português ao Volante» para russófono.

O meu lucro propriamente dito começou a surgir a partir do momento em que o curso «Português ao Volante» foi posto à venda.

Estipulei desde logo que parte do lucro estaria destinado a desenvolver um dos três projectos seguintes que tinha já então em agenda:

1. Curso de língua portuguesa para romenos

2. Curso de Português para russófonos (Português ao volante, nível II)

3. Curso de língua russa para portugueses

Analisemos resumidamente cada um deles:

1. Curso de Língua Portuguesa Para Romenos

-> Aspectos positivos

Embora naquela época (2005/06) as diásporas romenas e moldavas não fossem assim tão numerosas quanto a russo-ucraniana (pelos dados que eu possuía, em Portugal encontravam-se, legalizados e não legalizados, cerca de 40 000 romenos e moldavos), as perspectivas de integração da Roménia na UE tornariam real a chegada de mais 30 a 40 mil cidadãos desse país.

-> Aspectos negativos e dificuldades encontradas

A deficiente infra-estrutura da diáspora romena em Portugal fazia prever grandes dificuldades de entrar em contactos com o consumidor final. Publicitar o produto de modo a chegar a estes prováveis consumidores tornava-se impossível devido à inexistência de jornais, programas de rádio, lojas de produtos alimentares e artigos romenos, etc.

2. Curso de Português (nível médio - II) para russófonos

-> Aspectos positivos

A orientação deste curso para aquela massa de imigrantes que possuía já o vocabulário mínimo necessário (1000 - 1500 palavras) mas que queria ver melhorados os seus conhecimentos de língua portuguesa com o objectivo de, antes de mais, evoluir profissionalmente, o que, posteriormente, acabou por acontecer quando um sem-número de ucranianos e russos começaram a abandonar aquelas profissões que requeriam nível mínimo de qualificação e iniciaram actividades profissionais de acordo com as suas habilitações literárias.

-> Aspectos negativos e dificuldades encontradas

A crescente concorrência com maior poder de alcance comercial. Naquele período surgiram vários cursos de lingua portuguesa nos 3 níveis de dificuldades (programa «Portugal Acolhe»).

3. Curso de língua russa para portugueses

Desde que iniciei a minha actividade em Portugal sonhava editar um curso de língua russa ou ucraniana, simples e acessível, para os portugueses. Diz-se que as línguas eslavas são muito difíceis de aprender, opinião da qual discordo.

-> Aspectos positivos

A procura por cursos de língua russa começava naquela altura a fazer-se sentir por duas razões principais:

Em primeiro lugar, o ressurgimento crescente da intervenção da Rússia e da Ucrânia não só em questões socioculturais, económicas e políticas na Europa, mas a nível mundial. (A vitória da Ucrânia em 2005 e da Rússia em 2008 nos populares concursos Eurovisão da Canção; a vitória do CSKA de Moscovo em 2005 e do Zenit de São Petersburgo em 2008 na taça da UEFA; a organização conjunta da Ucrânia e Polónia do Campeonato de Europa em 2012; a mudança da orientação política na Ucrânia em 2004 e o esforço de europeização do actual governo, assim como as crescentes perspectivas para a Ucrânia nos próximos 5 a 10 anos em relação à entrada na UE e na NATO).

Em segundo lugar, a curiosidade normal dos portugueses que nos últimos anos se viram casados e de família formada com cidadãos e cidadãs oriundos da Europa do Leste. Recebi inúmeros pedidos de informação sobre a disponibilidade de cursos de russo ou ucraniano para os cônjuges portugueses.

-> Aspectos negativos e dificuldades encontradas

Acesso dificultado à publicidade. O lançamento deste tipo de produto no mercado pressupõe uma publicidade específica, nem sempre acessível às minhas posses.

No final, depois de muito ponderar os pós e contras, comecei pelo último projecto da lista.

Durante a elaboração do manual de língua russa decidiu-se mandar imprimir os livros na Bulgária, por uma tipografia com quem temos um acordo comercialmente vantajoso (sem descurar a qualidade). A capa e paginação ficaram ao cuidado do designer gráfico búlgaro Naiden Naidenov, o qual, com 15 anos de experiência profissional na área das artes gráficas, nos deu uma preciosa ajuda na concretização deste projecto. Em resultado, o custo total do curso todo ficou sensivelmente em 1,5 a 2 vezes menor do que se tivesse sido feito em Portugal com as infra-estruturas que actualmente possuo.

O trabalho todo de preparação, pré-impressão e impressão dos manuais e panfletos publicitários foi feito em 5 meses. Findo esse prazo todo o material foi entregue em Portugal.

O curso «Língua Russa» está orientado para os seguintes segmentos do mercado:

1) Cônjuge português de cidadão russófono.

2) Funcionários de entidades governamentais ou não-governamentais, cujo trabalho implique o contacto com imigrantes oriundos da Rússia, Ucrânia, Moldávia e Bielorrússia.

3) Empresários ou funcionários de empresas cuja actividade esteja de alguma forma relacionada com os países da Europa do Leste.

Para se conseguir chegar a esta faixa do mercado, elaborou-se a seguinte estratégia comercial:

Para o primeiro segmento de mercado: A forma mais rápida de chegar a estes portugueses seria através do seu cônjuge russófono e, como tal, foi impressa publicidade nos jornais semanários de língua russa editados em Portugal (Mayak Portugalii e Slovo). Foram igualmente distribuído panfletos publicitários nas lojas de produtos russos frequentadas por estes imigrantes.

Para o segundo e terceiros segmentos do mercado foi feita publicidade em vários periódicos de imprensa escrita. Tentei publicitar no Diário de Notícias, mas sem sucesso.

Enquanto estávamos na preparação do curso «Língua Russa», tomei a iniciativa de abrir em Lisboa cursos de estudo avançado de língua portuguesa a pensar naqueles imigrantes cujo domínio de um bom nível de português se tornava essencial para o progresso profissional. Havia procura por esse serviço, pois por essa altura os imigrantes da Europa do Leste começavam já a deixar os trabalhos de serventes nas obras e a passavam a funcionários de bancos, de agências imobiliárias ou de viagens, a criarem as suas próprias empresas, a abrir lojas, cafés, restaurantes e até a exercer medicina. Dos 106 médicos cuja equivalência do diploma foi feita há alguns anos com o apoio da Fundação Gulbenkian e do Serviço Jesuíta aos Refugiados, a maioria era oriunda dos países da ex-URSS. Na próxima selecção de médicos, cujo processo já se iniciou, pelo menos 70% dele são russófonos.

É evidente que para este tipo de imigrantes os guias de conversação básica de 1000 ou 1200 palavras há já muito que deixaram de ser úteis. Surgia agora a procura por cursos mais exigentes, que transmitissem conhecimentos mais aprofundados da língua portuguesa, que ensinassem um português mais literário, ou mais orientado para um determinado ramo (por exemplo: Português Comercial). E assim, aos pouco e poucos, começou a surgir um outro potencial segmento de mercado para os cursos de língua portuguesa.

Em Portugal, para além dos cursos de línguas ministrados pelas faculdades de filologia, ninguém oferecia este tipo específico de serviço. Tornou-se evidente a demanda por professores qualificados.

Propus então à tradutora e professora Dina Paulista que colaborasse connosco, ao que ela acedeu. Ela era a pessoa ideal em todos os parâmetros: esta jovem lisboeta, energética, que havia feito e terminado os seus estudos numa das universidades de Moscovo, possuía o seu programa pessoal de ensino, desenvolvido e elaborado por ela, especificamente direccionado para o ensino da língua portuguesa a russófonos.

A Dina não só domina a língua russa na perfeição, como executa regularmente traduções literárias e científicas por incumbência de várias editoras e empresas. Entre os seus trabalhos mais representativos encontra-se a tradução de alguns clássicos da literatura russa: "A Fossa" de Kuprine, "Taís de Atenas" de Efremov, "Pedro I" de A. Tolstoi, "Contos Variados" de Bunine e variada literatura técnica (com incidência na área médica). Possuidora de grande entusiasmo, a Dina colabora periodicamente connosco e têm participação activa em outros projectos nossos.

O curso foi ministrado nas instalações de um centro de línguas, sito à Alameda Roentgen, numa agradabilíssima zona de Telheiras. Seleccionou-se um pequeno grupo experimental que frequentou o curso durante um ano e a quem foi proposto um horário compatível com o trabalho (normalmente aos fins-de-semana ou em horário pós-laboral) a preço bastante acessível.

A análise dos resultados deste primeiro grupo, permite-me planificar confortavelmente, e com certa base de segurança, um novo curso de português a ter início já no Outono de 2009 (mas agora com um grupo maior de alunos).

E eis que, levando em conta a elevada procura do curso «Português ao Volante», decidi, em 2007, iniciar a preparação do segundo volume do curso: «Português ao Volante, nível II», pensado para aqueles imigrantes russófonos que consolidaram já as bases da língua de conversação e querem agora melhorar os seus conhecimentos.

Informação. O curso "Português ao Volante, nível II" é composto por um manual e 1 CD em formato mp3. As frases de conversação são apresentadas em atractivos diálogos com a sua tradução para o português. O material didático é todo ele apresentado na forma escrita e verbal e está dividido por temas. Cada tema é constituído por várias aulas. O início de cada aula é feito com a apresentação de um bloco de palavras novas e sua tradução para o português. E a aula termina também com um outro bloco de palavras. No curso é apresentada informação referente aos 17 temas de conversação mais populares: "Expressões fundamentais", "As horas", "Em casa", "Na estrada", "Serviços", "Na agência de viagens", "No aeroporto", "Na praia", "Animais", "Os pontos de interesse turístico", "Falsos amigos", "Documentos", "Casamento", "Costumes russos", "Apêndice", "Siglas", "Provérbios".

A nossa metodologia requer que se estude não só pelo manual, mas que se ouça também a componente áudio. O efeito desejado será obtido após 2 a 3 meses de aulas regulares, em resultado da repetição constante do material em estudo. É fácil, interessante, simples e acessível.

Na preparação do programa foram levadas em consideração os principais desejos dos nossos clientes, ou seja, daqueles que adquiriram a primeira parte do programa. Assim:

1) O programa foi preparado com a participação da já referida Dina Paulista e com a minha participação directa. Com isso foi possível seleccionar todo aquele material que consideramos ser o que melhor responde às necessidades dos eventuais alunos. Os blocos existentes na primeira parte do curso foram desenvolvidos com maior pormenor e foram acrescentados temas novos. O vocabulário desta segunda parte do programa é de sensivelmente 1500 novas palavras.

2) Foi aumentado o tempo útil de áudio. Ele é agora de 4 horas e meia, ao invés das 3 horas e meia da primeira parte.

3) Neste novo projecto participaram 2 locutores, cada um deles com uma das línguas alvo como língua materna: russo e português. A locução áudio feita por locutores nativos das duas línguas, terá sido a maior exigência feita em relação a este segundo trabalho, uma vez que na primeira parte havia sido utilizado somente um locutor, que tinha como língua materna o russo mas que dominava muito bem o português.

Dados técnicos:

Autores - Oleksandr Ostapenko, Dina Paulista

Locutores - Dina Paulista, Yuliya Pozdniak

Corretora literária - Ana Gusmão (anamfelicia@gmail.com)

A parte audio foi gravada em STS Estudio, Rua Salvador Allende, lote 13, r/c,

Sacavém

Artes gráficas - Criação livre, Rua Industrial de Urtigueira, 76, Canelas,

tel.: 227 64 93 50

Criação do CD - Sondex, Lda, Rua D.Luis Furtado de Albuquerque, 23, r/c,

Lavradio, tel.: 212 80 78 31

Tiragem - 1000 unidades

Ano - 2009

Todos os direitos reservados

Os meus critérios pessoais para introdução deste projecto em Portugal:

1. Grau de procura
2. Inovação (oferecer aquilo que os outros não oferecem)
3. Acessibilidade ao comprador final (por seu preço e percepção do material)

 

Para a realização dos meus projectos recorro à ajuda de pessoas de diferentes nacionalidades, a colegas e amigos, a quem este tipo de trabalho traz satisfação e permite o desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal.

Naiden Naidenov (búlgaro) - Designer gráfico. Prepara o material didático e publicitário para

ser impresso

tel.: 969 687 283

email: intellect_studio@mail.ru

Dina Paulista (portuguesa) - Professora, tradutora e autora do curso «Língua Portuguesa ao

Volante. Nível II»

tel.: 917 806 002

email: intellectpt_tch@mail.ru

Genrieta Tsoy (uzbeque) - Coordenadora do projecto dos cursos de língua russa para

portugueses e de língua portuguesa para imigrantes do Leste,

no nosso centro de estudos em Telheiras.

tel.: 968 078 843

email: intellectpt@mail.ru

A partir de 2005 comecei a desenvolver um projecto análogo em Espanha.

Ap 26, 36450, Salvaterra de Minho, Pontevedra, España

tel.: (0034) 620 406 734 - Nadiya Nosova

email: intellect_esp@mail.ru

E em 2008 - em Itália

Via Carcano, 12, Varese, 29100, Italiya

tel.: (0039) 328 131 2335 - Viktoriya Cherniaeva

email: viva-victoria07@mail.ru

Cada pessoa deseja sentir-se livre, isto é, fazer as coisas de modo que sinta, com isso, satisfação, e não obrigação. Sabemos bem que a satisfação é um estado de espírito que se alcança em resultado da concretização de acções direccionadas para a resolução de determinadas tarefas, especialmente de cariz criativo. Permitam-me a ousadia de incluir precisamente nesse grupo a actividade que vos acabei de descrever nestas poucas linhas. Para além de lucro financeiro, ela traz-me grande satisfação moral.

Centenas dos nossos conterrâneos mostram-se satisfeitos com o curso «Língua Portuguesa ao Volante». Para muitos deles este foi precisamente o primeiro manual, com o qual puderam aprender a cumprimentar correctamente alguém ou a obter a informação necessária nas lojas. Agora essas mesmas pessoas estão à espera da continuação a fim de poderem dar um passo em frente na aprendizagem e assimilação desta língua, que até há bem pouco tempo lhes soava tão estranha e terrível.

Uma prova da eficiência dos cursos é não só o facto de não termos recebido nem um único parecer negativo de algum aluno menos satisfeito (apesar de irmos aceitando sugestões que são sempre bem-vindas e levadas em conta), mas também o facto de recebermos pedidos regulares, de viva voz ou por escrito, de lançamento de outros programas no mercado. E num futuro muito próximo será isso que faremos.

Quis o destino que num curto período de 2 a 3 anos se encontrassem em Portugal 150 000 cidadãos oriundos da ex-URSS. Eles viram-se de repente num meio com outros valores culturais, com outra forma de pensar. O destino dessas pessoas tomou rumos diferentes. Sensivelmente metade desse contingente regressou já ao país de origem ou foi viver para outros países europeus (nomeadamente, para a vizinha Espanha).

Assim sendo, posso já com toda a certeza afirmar que aqueles que se mantiveram até agora em Portugal pretendem ficar a viver neste país e adoptá-lo como seu ou, se não para sempre, pelo menos, por muitos mais anos. Significa isto que a diáspora eslava exercerá, de uma ou outra maneira, influência na vida económica e social de Portugal. Por outro lado, também Portugal (independentemente de haver ou não disso consciência) participa em maior ou menor grau na vida económica e social dos países de origem destes imigrantes.

Compreendo que visto «por alto», a influência de um país no outro é praticamente nula (afinal só anualmente é que é calculado o montante total de divisas enviadas para a Ucrânia), mas visto «por baixo», isto é, aos olhos dos imigrantes propriamente ditos, esta influência é já bastante notada. De outro modo, como explicar o facto de nos últimos quatro anos seguidos Portugal ser um dos poucos países que dá à canção representante da Ucrânia no Festival Eurovisão da Canção as pontuações mais altas? E como explicar que na penúltima edição do concurso Portugal tenha sido o único país de toda a Europa a dar à canção ucraniana a pontuação máxima de 12 pontos?

Aos olhos dos imigrantes, a influência de Portugal na Ucrânia não se resume ao total das divisas que fortalece o Orçamento do país, não são os números que atestam a diminuição da população activa ucraniana devido à saída em massa da sua força de trabalho, mas sim como, por exemplo, a própria palavra «Portugal» soa agora nas bocas das centenas de milhares de ucranianos na Ucrânia - de amigos, familiares e conhecidos daqueles imigrantes que vivem aqui. E acredito, sinceramente, que em 2012, ano em que a Ucrânia, juntamente com a Polónia, acolherá o campeonato europeu de futebol, haverá nos estádios ucranianos muito mais bandeiras de Portugal do que o número de portugueses propriamente ditos que se deslocarão a esse país para apoiar a sua selecção. Ao seu lado estarão muitos ucranianos, que de uma ou outra forma, já têm Portugal no coração. Em algumas regiões da Ucrânia, o português, por mais improvável que isso pudesse parecer há alguns anos, tem vindo a tornar-se na língua estrangeira mais referida e falada.

Porque é que acredito que aquilo que faço é merecedor deste prémio?

* Porque todos os parâmetros da actividade que exerço se enquadram nos critérios deste concurso.

 

* Porque ajuda pessoas de diferentes nacionalidades a compreenderem-se umas às outras.

 

* Porque simplifica o processo de integração dos imigrantes na sociedade portuguesa.

 

* Porque a procura pelos nossos serviços é ditada pela necessidade. A Língua é aquilo que, estando num outro país, é necessário dominar antes de tudo. De acordo com os dados do SEF, só nos últimos 2 anos cerca de 10 000 pessoas vieram para Portugal ao abrigo do processo de reagrupamento familiar. Esta vaga é principalmente constituída pelas esposas e filhos dos imigrantes que já aqui viviam e conseguiram entretanto organizar a sua vida e legalizar a sua situação. Desta nova vaga praticamente ninguém tem quaisquer conhecimentos que seja de língua portuguesa.

 

* Porque oferecemos um serviço que mais ninguém oferece: metodologia mista (métodos tradicional e não-tradicional) de ensino de uma língua estrangeira.

 

* Pelo facto de, após me ter encontrado em situação de crise financeira nos últimos 5 anos, eu não só não ter ultrapassado as dificuldades e alterado o rumo económico do empreendimento, como o ter aberto ainda a outros mercados (Espanha e Itália) - o que prova que esta actividade tem boas perspectivas económicas.

 

* Porque a dedicação a este negócio requer enorme paciência e autocontrolo, uma vez que os resultados financeiros levam tempo a surgir. E isso, eu tenho! É sabido que o investimento na educação é um daqueles com maiores perspectivas de retorno de capital, mas que requer muito tempo e entrega pessoal.

 

* E, o mais importante, pelo feedback positivo de todos nossos clientes.

 

Que influência tem a minha actividade na economia portuguesa?

Aparentemente, pouca. Mas se pararmos para pensar um pouco veremos que o facto de o meu trabalho ajudar imigrantes a integrarem-se e a sentirem-se confortáveis neste país, i.e., a encontrarem um trabalho equivalente às suas qualificações académicas e profissionais, aumenta os seus vencimentos pessoais e, respectivamente, aumentará a entrada de dinheiro nos cofres do Estado graças aos impostos pagos por estes "novos cidadãos". Por outro lado, e de forma mais directa, aumenta imediatamente e a curto prazo o consumo privado.

Para além disso, ao convidarem todos os anos os seus familiares a amigos da Ucrânia e da Rússia para passarem o Verão no agradável e soalheiros Portugal, os imigrantes ajudarão também a incrementar, mesmo que em parcelas infimamente pequenas à escala nacional, o comércio local e todos os demais serviços ligados ao turismo. E as lembranças e emoções positivas deixadas pela estadia em Portugal (e isto nenhum de nós põe em causa) irá atrair um número cada vez maior de turistas do Leste Europeu para Portugal, fenómeno que há 5 ou 10 anos era simplesmente impensável.

Os resultados daquilo que fazemos só serão bem visíveis daqui a alguns anos. Principalmente se levarmos em conta que num futuro próximo a estratégia da nossa actividade vai alterar-se radicalmente (como já antes referi, pretendo iniciar a produção de cursos para portugueses).

E se dentro de alguns anos todos aqueles imigrantes que chegaram há pouco a Portugal se mantiverem a viver por cá , então nisso estará uma parte do nosso mérito.